Suzano reverte prejuízo após queda do dólar, mas frustra consensos





São Paulo, 4 de maio – A Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, frustrou consensos nas principais linhas do balanço do primeiro trimestre, refletindo a forte alta de custos, mas mostrou leve alta na geração de caixa devido aos maiores preços praticados.

Em balanço divulgado nesta quarta-feira, a Suzano reportou lucro líquido de R$10,3 bilhões entre janeiro e março, revertendo prejuízo de R$2,75 bilhões computado um ano atrás. O resultado frustrou o consenso Mover, que projetava lucro de R$12,9 bilhões.

A queda de mais de 15% do dólar futuro no período permitiu que a Suzano tivesse um lucro líquido volumoso, vindo de ganhos com operações de derivativos e pelo impacto positivo da variação cambial, que reduziu o valor da dívida da empresa denominada em dólares. O endividamento líquido da companhia caiu 25% na base anual, enquanto o resultado financeiro líquido atingiu R$12,9 bilhões, ante perda de R$8,66 bilhões um ano antes.





O EBITDA, medida contábil que afere o lucro operacional da companhia, ficou em R$5,12 bilhões, abaixo da estimativa de R$5,44 bilhões, tendo crescido 5% na base anual. A receita líquida subiu 10% ano a ano, a R$9,74 bilhões, em linha com o consenso de R$9,76 bilhões, puxada pelo avanço de 20% no preço da celulose e de 26% no do papel.

A alta de preços impulsionou também a geração de caixa, que atingiu R$3,89 bilhões no período, praticamente em linha com o resultado de um ano atrás. A geração de caixa por tonelada cresceu 10%, a R$1.444.

O volume de vendas total da companhia caiu 9% na base anual, para 2,69 milhões de toneladas, impactada pela crise logística global, que, segundo a Suzano, “impactou a disponibilidade de celulose em todas as regiões”.

O custo do produto vendido subiu 12% ano a ano, atingindo R$5,43 bilhões, com impacto do maior custo de produção da celulose e a alta do petróleo Brent.





Recompra

Após a divulgação dos resultados, a Suzano anunciou programa de recompra de até 20 milhões de ações ordinárias no prazo de 18 meses, o equivalente a 2,8% das ações da companhia em circulação.

Segundo a companhia, o programa busca elevar a geração de valor para os acionistas e permitir uma “alocação de capital eficiente considerando o potencial de rentabilidade de suas ações”, além de sinalizar “a confiança da administração na performance da Companhia”.

A diretoria da Suzano explica os resultados em teleconferência marcada para amanhã, às 10h.

Desempenho das ações da Suzano

As ações da Suzano (SUZB3) subiram 1,37% nesta quarta-feira, a R$51,96. Porém o papel acumula baixa de 12,53% no ano. O Ibovespa fechou a sessão de hoje em alta de 1,70%, aos 108,3 mil pontos.

Para acompanhar o desempenho das ações da companhia e de outras empresas listadas na bolsa brasileira, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Gustavo Boldrini
Edição: Gabriela Guedes e Letícia Matsuura
Imagem: Mover